O nascimento do Escola Móvel


Há quase duas décadas venho desenvolvendo atividades educativas e prestando orientações técnicas em locais bem informais ou alternativos. Sempre que possível realizo essas atividades próximo à natureza, como: praias, dunas, mangues, trilhas, praças e ruas calmas. Apesar de apreciar muito trabalhar educativamente ao ar livre, sou franco em dizer que há elementos ou situações que causam significativas limitações e que impedem um melhor rendimento das atividades, além de desconfortos para orientadores e orientandos. A falta de estrutura de apoio e a dificuldade de deslocamento são exemplos típicos. 

Um caso concreto é o Programa HIDRONAPRAIA, de minha iniciativa e execução. Ele oportuniza regularmente orientações técnicas e aulas de hidroginástica e natação utilitária no piscinão natural da Praia do Forte de Natal desde fevereiro de 1998 e eventualmente noutros lugares. Em 2012 completou 14 anos de funcionamento ininterrupto e nunca contou com o apoio governamental, empresarial ou parlamentar. Mesmo com interesse e a facilidade de ter vinculo efetivo de professor de educação física nas redes públicas de Natal e RN, não foi conseguido ainda estatizar o programa, afim de oferecer serviços gratuitos, criar infra-estrutura e ampliar o número de beneficiados. Sem apoio dos governos e de terceiros, a estrutura de apoio para o Programa HIDRONAPRAIA praticamente inexiste. Criar uma estrutura e uma equipe de apoio e contar com parceiros técnicos sempre foi um sonho e que não descansarei até realizá-lo. 

Outra atividade educativa que aprecio muito realizar e que são até mais antigas que a hidroginastica na praia são as caminhadas ecoeducativas em contextos ricos em natureza, com crianças, jovens, adultos e idosos, inclusive, em áreas de mangues e dunas. Por não ter uma logística de transporte regular e adequada, acabo que realizando essas atividades esporadicamente. Elas poderiam ser mais regulares com a facilidade no transporte. 

Assim, nesses dois exemplos reais acima, a dificuldade de transporte e estrutura de apoio têm sido obstáculos para o melhor rendimento e até o crescimento no número de beneficiados. Mas, como tenho um enorme desejo de superar a fase das lamentações e correr atrás das possibilidades tangíveis, como forma de aproximar-me da realização dos sonhos de ampla contribuição social e ambiental, acabei investindo todas minhas economias de anos e anos no Projeto Escola Móvel: Educação Sem Fronteiras, especialmente, na aquisição do primeiro módulo ou veículo para o projeto, que assimilará  as atividades citadas nos exemplos.


O veículo adquirido com recursos próprios, fruto de muita economia e privações de supérfluos, é um ônibus Scania 1990, urbano, carroceria Caio Vitória, em razoável estado de conservação. Custou R$ 25 mil e deve consumir mais ou menos uns R$ 15 mil, para ficar mais agradável, funcional e seguro. Para tanto, várias adaptações e melhorias serão realizadas, em etapas,  conforme a disponibilidade de recursos. Veja uma imagem do veículo. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mais um crime ambiental e urbanístico. Ergue-se o 33º barraco irregular na ZPA7 de Natal

Ambientalistas lançam a #SuperSemanaDoManguezal2017

Próximo sábado, 04/03, ainda terá carnaval em Natal e dentro do mar