EcoETE Araruama: um modelo que o RN deveria seguir

A cidade de Araruama no estado do Rio de Janeiro implantou com grande sucesso a maior Estação Ecológica de Tratamentos de Esgotos do Brasil. A ETE Ecológica de Araruama foi matéria recente do programa Cidades e Soluções da Globo News. Fiquei encantado ao assistir. O editor e repórter André Trigueiro, também encantado, fez a seguinte pergunta ao diretor geral da ETE: Porque o Brasil ainda não adotou esse modelo de estação de tratamento como  regra, se é visivelmente muito mais vantajoso? A resposta: Quando já se conhece, é por falta de vontade política.
Esse excelente exemplo no Brasil de estação ecológica de grande porte para tratamento de efluentes  é tão bom que vem atraindo técnicos de vários países, inclusive, da Europa. Eles querem estudar como poderiam replicar a bem sucedida experiência a realidade de cada local. 

As vantagens desse modelo de EcoETE de grande porte são muitas. Como desvantagem apenas que requer mais, espaço, mas pode ser integrado a outros projetos compatíveis. Entre as vantagens podemos destacar: 
1) Reduz em até 70% o custo de implantação e manutenção, pois reduz a zero o uso de químicos e minimiza em muito o uso máquinas, de mão de obra qualificada e de energia elétrica; 
2) Não exala mal cheiro; 
3) Pode ser integrado a uma fábrica de adubo orgânico, que receberá da EcoETE toda a matéria prima (lodo e restos de plantas), 
4) Atrai e mantêm uma rica ave fauna e 
5) Pode ser integrado a um parque público, servir de atrativo turístico, entre outros projetos.  

Em Natal, está em curso o projeto da super ETE Guarapes, três vezes maior em volume de tratamento que sua referência,  a moderna e cara ETE do Baldo em Natal. Tida como referência de modelo terciário de tratamento, não consegue livrar-se do mal cheiro do processo, mesmo tendo tecnologia para tanto. O projeto ETE Guarapes, no modelo atual, ficará escondido na divisa dos municípios de Natal com Macaíba, receberá todos os esgotos da zona sul e parte dos esgotos da zona oeste de Natal e parte de Parnamirim. Foi projetada depois da rejeição do projeto do emissário submarino de Ponta Negra. O atual projeto, nem começou a obra, embora tenha seus recursos garantidos, mas já causa transtornos no Guarapes. Além de ocupar um terreno previsto para uma escola pública de período integral, causa depreciação nos imóveis da área pelos inconvenientes típicos desse equipamento, 

Ao conhecer, mesmo a distância, a EcoETE de Araruama-RJ vejo que podemos adaptar esse modelo as nossas realidades e necessidades. Há várias áreas amplas e degradadas em Natal, Parnamirim, Macaíba e São Gonçalo, que podem suportar EcoETEs. Entendo que devemos conhecer melhor e apostar nas EcoETE's com modelo a ser seguido a partir d'agora. Natal pode ter rapidinho o maior complexo de EcoETE's do Brasil e até do Mundo, tendo como base as áreas já degradas do complexo estuarino Potengi-Jundiaí. Isso facilitará o projeto de sanear 100% a grande Natal.  

Esses complexos EcoETE's deveriam ser prioridade no RN, pois podem gerar receita com a fabricação de adubo ecológico de excelente qualidade e baixo custo, pois usa como matéria prima o lodo da decantação dos lagos de aeração e decantação e os produtos das podas regulares das plantas que fazem todo o processo de tratamento fitoquímico do esgoto. A água final das EcoETE's podem ser introduzidas nos mananciais ou usada para rega de jardins e plantações, ajudar na limpeza urbana, ser usada em caldeiras, entre outros fins mais rústicos. Em momentos de crise de água poderá ser processada para virar potável.  

O Movimento Mangue Vivo sugere a formação de uma forte frente ambiental para, junto com o MPE, forçar um diálogo produtivo entre as partes em questão: CAERN, Governo do RN, Prefeituras, Órgãos, Entidades e Movimentos socioambientais, Comitês e parlamentares afins .

Essas EcoETEs facilitariam e até poderiam fazer parte do Projeto BioParque Grande Natal.


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