Denúncia: Invasões na ZPA-4 ameaçam a natureza e projeto ecoturístico

Durante o período de carnaval 2015, quando a atenção da segurança pública estava mais voltada para a fluidez dos festejos, vários oportunistas aproveitaram para ocupar, desmatar e queimar vegetação nativa e lixo depositados clandestinamente em duas áreas de preservação ambiental da regulamentada ZPA-Zona Preservação Ambiental-4 de Natal. Essas´áreas, identificadas no Mapa e imagens em anexo. além de terem grande importância ambiental, ecológica e geomorfológica, são também de interesse turístico, pois são excelentes mirantes naturais para vislumbrar as exuberantes paisagens do Estuário dos rios Guapapes-Jundiaí em diferentes ângulos. Por isso, os estudos de campo para o Projeto Parque Ambiental e Ecoturístico dos Guarapes já as tinha mapeado. 

O empossamento de terras em subzonas de preservação da ZPA4 vem ocorrendo já a algum tempo sem efetivo impedimento, mas foram intensificadas durante o período de carnaval. As imagens aqui postadas foram captadas pelo Grupo Ambientalista Mangue Vivo, em dia 16/02/2015. 

A área 1, identificada no Mapa, é parte da subzona de preservação da ZPA-4 de Natal e comunica-se com o km 7 da Rodovia BR-226 e fica de frente para um lindo segmento do estuário do rio Jundiaí. O topo do terreno serve de estratégico Mirante natural. Tem grande importância ecológica, pois praticamente liga-se com o setor B da ZPA-8 de Natal, formando um funcional corredor ecológico, onde a fauna (animais e insetos) transitam entre os habitats naturais ou adaptados, inclusive distribuindo sementes. Manter essa área com ampla vegetação herbácea, arbustiva e arbórea (gramas, arbustos e árvores) é fundamental. Os lotes apossados nesse setor da ZPA-4 são enormes.

Assim, a queimada realizada provavelmente no dia 15/2 nessa referida área é de origem criminosa, pois limitou-se ao lote apossado. Foram atingidos aproximadamente 7 hectares. Esse grupo voluntário não conseguiu identificar ainda quem se apossou do terreno. Basta saber quem é o posseiro para descobrir o possível mandante ou o próprio criminoso ambiental. Essa tarefa investigativa cabe aos especialistas dos órgãos competentes de segurança e fiscalização ambiental. 

A área 2 identificada no Mapa, é conhecida como Mirante dos Guarapes. Tem quase 5 hectares e fica no final da rua Jardim Botânico, no bairro Guarapes, entre dunas e encosta. Já foi desocupada anos atrás. Os invasores e posseiros na época foram agraciados com residências novas não muito longe desse local. O terreno é platô de encosta e sem funcional vegetação é área de risco de desmoronamento e um perigo para quem mora na base da encosta.  

Do Mirante natural dos Guarapes vislumbrar-se um espetacular Por do Sol no lindo cenário do Estuário Guarapes-Jundiaí e um espetáculo digno de Pantanal, o retorno de milhares de Garças retornando ao único Ninhal e Dormitório de Garças da Grande Natal. Por isso, o local tem tudo para transformar-se num dos principais Pontos Ecoturísticos de Natal, quando desenvolvidos e implantados os projetos Parque Ambiental e Ecoturístico dos Guarapes, iniciativa desse Grupo Ambientalista, que já conta com a parceria da Setur-Natal. 

Segundo o idealizador e propositor desse Parque e seus acessos, ele poderá ser: 
1) Um importante equipamento de preservação ambiental e cultural das subzonas de preservação das ZPA's 4 e 8 (setor B) de Natal, ZPA 1 de SGA e APP's do Estuário Jundiaí e o sitio histórico Casarão e Porto dos Guarapes em Macaíba. E
2) Base para um inédito e necessário Polo Turístico "Guarapes" envolverá os desprezados bairros estuarinos/ribeirinhos da zona oeste de Natal, parte histórica e ribeirinha de Macaíba e SGA. Além de desenvolver o Ecoturísmo, esse novo Polo pode também trabalhar os segmentos turísticos: Educacional, Esportivo, Cultural, Científico e Rural. Assim, presumimos que essa iniciativa deve ser de grande interesse governamental e do trader turístico.  

Mesmo antes da implantação do Parque ou Estação Ecoturística, deverá ser implantada a ACELE Guarapes- 1ª Agência Comunitária de Ecoturismo e Locação de Equipamentos Ecoesportivos do RN, uma Associação Comunitária local, sem fins lucrativos, ainda em formação. É uma estratégia do GAMV, endossada e reforçada na parceria com o Setur Natal, para garantir Inclusão Social, Geração de Renda e Ampliação da Segurança ao Turista na visitação ao Guarapes e atrativos em bairros vizinhos. 

Enquanto os jovens da comunidade não receberem formação de guia ecoturístico (possivelmente, via Pronatec), prestarão apenas serviços de locação de equipamentos esportivos (bicicletas, patins, patinetes, skates, slacklines, caiaques e canoas, por exemplo. Além de venderem lanches e suvenires. O GAMV, junto com parceiros, farão uma campanha para arrecadar os primeiros equipamentos. 

Em tempo, aproveitando a oportunidade dessa divulgação, informamos que o GAMV (que ainda não é ONG) convidará o MPE- Ministério Público Estadual, através do promotor de meio ambiente Dr. Márcio Luiz Diógenes ou outro que entenderem competente e disponível para dialogar com movimentos sociais, e a Setur Natal, para que institucionalizem e convidem prefeitos e representantes de órgãos de meio ambiente, de trânsito e do turismo dos municípios de Natal, Macaíba e SGA, além do governador e respectivos de órgãos estaduais e o representante do DNIT, para assistirem apresentação oficial da proposta inicial de um projeto integrado: Polo e Parque Ambiental e Ecoturístico dos Guarapes e seus Acessos. 

Sobre os Acessos, refere-se as propostas: 1)  Perimetral Oeste (ou Conexão BR 101e Ponte Peixe-Boi, 2) Desvio BR 226 e 3) Prolongamento da Av. Amintas Barros. Esses projetos integrados pretendem, ao mesmo tempo: 1) Ajudar a preservar importantes ecossistemas da grande Natal, 2) Orientar e estimular a criação de um importante e novo Polo Turístico na Grande Natal 3) ajudar a melhorar efetivamente o trânsito em Natal, Macaíba e SGA e, inclusive, no acesso ao novo aeroporto, para moradores e turistas localizados nas zonas sul e oeste de Natal, Parnamirim e litoral sul do RN. 

 Agradecemos antecipado toda a atenção e divulgação disponibilizada.

Milton França Junior
Coordenador do GAMV
Grupo Ambientalista
   MANGUE VIVO

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